A Cor da Noite – Adriana Santiago

Eu tenho a cor da noite
Eu tenho a cara do perigo
Que me cerca
Em cada esquina
Que me ronda
Em cada passo
Com olhos cegos
E mãos carregadas
De ódio
De desamor
De covardia
Indiferença
Que me faz invisível
Ao possível
E somente mais um equívoco insensível
Nas páginas do jornal

Eu tenho a cor da noite
Mas tenho estrelas no olhar
Que brilham mesmo que sintam medo
E me apontam a direção
Do meu destino
Que talvez seja o mesmo
Para todo e qualquer um
No final, afinal

Não sou como você
Não sou apenas o que você vê
Não ando perdido
No vazio de um mundo
Desumano
Que foge do escuro
Sem se dar conta
Dos lugares escuros
Que traz dentro de si
E estes sim, meu amigo
São a cara da perigo.

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