Essa tal Liberdade – Adriana Santiago

Como andar pelo vale das sombras

E não temer mal algum?

Sou muito humana ainda pra isso

Sinto medo

Como criança

Às vezes penso que nunca cresci

Ainda tento me agarrar às pessoas grandes

Na esperança de que tapem meus olhos

E não me permitam ver os monstros

Que moram nos armários, ou debaixo da cama

E vivem à espreita

Para roubar-nos de nós mesmos

Quisera eu

Ser um pirata destemido

Que enfrenta o mar bravio

Em busca dos tesouros das profundezas

Quisera eu

Mergulhar nas minhas profundezas

Com a coragem de quem sabe se aventurar

E me lambuzar no desconhecido das emoções

Sem ficar à espera do talvez

Ou de presentes que caiam do céu

Quisera eu decidir entre ir ou ficar

E seguir decidida

Mesmo com a asa partida

Porque não há decisões impunes

Sempre pagamos um preço

Sou uma pobre criatura temente

Que ainda não se acostumou

Com a liberdade de ser

Porque é ela

Essa tal liberdade

Que nos permite

Caminhar pelo vale das sombras

Sem temer mal algum.

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