Será que existe mesmo o fundo do poço? – Adriana Santiago

Será que existe mesmo o fundo do poço, ou vamos nos afundando cada vez mais, caindo e nos despedaçando até encontrarmos uma corda ou outra coisa qualquer em que possamos nos agarrar para subirmos novamente à segurança da superfície?

O fundo do poço não existe, acho. Pelo menos não para quem, depois de muito tentar e insistir, consegue finalmente se esborrachar em seu espaço frio e duro. Porque ele é a morte e quando ali se chega não há mais volta nem tábuas de salvação, nem recomeços. Só o fim.

E então eu meu pergunto: “Quantas vezes precisamos nos enfiar em buracos apertados e sentir o frio da queda para aprendermos a não cair em tentações, ilusões e ciladas do destino? Qual é a nossa responsabilidade no caos em que nos metemos e que tira a nossa paz e rouba nossa energia vital?”

Responsabilidade. Todos nós nos sentimos a responsabilidade em pessoa. Afinal, levantamos cedo, cumprimos nossas obrigações, muitas vezes, porcamente, sejamos sinceros, e assim seguimos orgulhosos de nossas escolhas, até quando algo dá muito errado. Então o que fazemos? Procuramos os culpados que, definitivamente, não somos nós. Que culpa temos se tivemos muito azar? Se nada saiu como planejamos? Se o mundo anda em crise? Se a recessão está brava? Se fulano nos deixou na mão?

A profundidade do poço sempre será determinada por nós. Só nós temos o poder de impor um limite para as nossas quedas recorrentes. Não há como passarmos ilesos e leves pela vida. Ela é dura e exigente, mas podemos, pelo menos, fazer dos reveses um aprendizado valoroso e não um veneno amargo e homeopático a nos perseguir dia após dia.

O poço é fundo e enquanto não aprendermos a estabelecer metas, traçarmos um plano bem elaborado e viável para atingi-las e, principalmente, deixarmos de nos encantar com as distrações ilusórias cujo objetivo é fazer com que fracassemos mais uma vez, vamos continuar caindo pela vida afora até que não haja mais tempo nem espaço para nada mais que não seja o grande e inexorável nada.

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